sexta-feira, 6 de março de 2015

VÍDEO EXCLUSIVO: Secretário de Saúde fala sobre paciente que foi esquecido, CAPS, Médicos, Farmácia do SUS e demais problemas de saúde do município


O Secretário Municipal de Saúde, Geraldo Leite Antonucci, concedeu na tarde desta quinta-feira (5), uma entrevista exclusiva para o Site Mídia Mineira e falou sobre vários assuntos que tem sido questionado pela população, como CAPS, falta de Psiquiatras e Médicos nos PSFs, UPA, Farmácia do SUS e PMAQ, além de uma falha que ocorreu na Secretaria de Saúde nesta quarta-feira (4) e também foi levantado com exclusividade pelo Site Mídia Mineira, que foi o esquecimento de um paciente em Juiz de Fora. Segundo o secretário, é a primeira vez que ele fala sobre todos este assuntos em uma entrevista.

Entre outras coisas, o secretário revelou que 75% da população em Cataguases é atendida pelo SUS e que no mês de fevereiro, foram realizadas 2000 consultas especializadas na Policlínica, sendo que desse total, 30% dos pacientes, não comparecem as consultas. Ele também contou que um sistema está sendo implantado, visando diminuir o tempo para consulta especializada. 

Confira abaixo os tópicos abordados:

Paciente esquecido em Juiz de Fora

Na quarta-feira (4), o Sr. Antônio Ângelo de Oliveira,
foi deixado para trás em Juiz de Fora,
onde faz tratamento
Nossa primeira pergunta foi referente ao esquecimento do paciente, Sr. Antônio Ângelo de Oliveira (foto) em Juiz de Fora. Ele faz tratamento há 5 anos de cirrose e necessita ir toda a semana naquele município, mas nesta quarta-feira (4), foi deixado para trás, sendo descoberto o erro quando o ônibus chegou em Cataguases. Antes de começar a entrevista, o secretário disse que tão logo a secretaria tomou conhecimento do erro, mandou outro ônibus exclusivamente para buscá-lo em Juiz de Fora.

O Secretário disse que tomou ciência do erro na manhã desta quinta-feira (5) e confirmou que realmente deixaram o paciente para trás, sem conferir a lista de pacientes, procedimento obrigatório na ida e na volta da viagem. Ele chamou os dois funcionários, motorista e assistente de viagem e nos passou a informação de que tomará providências sérias a respeito do assunto em no máximo uma semana. "Assim que eu tomei conhecimento, já os chamei para ouví-los e tomar providências cabíveis e sérias porque a gente não pode deixar acontecer esses fatos com o paciente." disse.
Saiba mais:VÍDEO: Ônibus da Secretaria Municipal de Saúde de Cataguases teria esquecido paciente em Juiz de Fora - viagem acabou durando cerca de 20 horas

CAPS e Pacientes com problemas psicológicos nas ruas

Na segunda-feira (2), uma comissão representando os
familiares, funcionários e pacientes do CAPS,
reuniram-se com o prefeito Cesinha Samor, para
Cobrar soluções.
Geraldo Antonucci disse que o problema não acontece apenas em Cataguases, mas na região toda, pois o tipo de tratamento para a saúde mental, foi modificado. Conforme informou, a grande maioria das clínicas Psiquiátricas, foram fechadas, como é o caso da Clínica São José em Leopoldina. A modificação aconteceu, devido a uma mudança de visão do Ministério da Saúde, dos órgãos competentes e da promotoria, que pretendem colocar os pacientes psicológicos, no convício familiar para ter um tratamento mais saudável e não ficar isolado em uma clínica apenas tomando medicamentos sem apresentar melhora. 

O problema, segundo o secretário, é que já iniciaram fechando as clínicas, transferindo a questão para cada município. "Nós fomos chamados a Juiz de Fora, juntamente com a promotoria, Ministério da Saúde e todos os gestores das grandes cidades da região [...] para tratar desse assunto e de lá surgiu um grupo de trabalho e uma logística de montagem de clínicas especiais para tratá-los até julho e no mais tardar até no primeiro semestre de 2016". 

Conforme explicou, foi criada uma rede que criará polos de atendimentos, onde o paciente será recebido para tratamento em conjunto com a família. Para tanto, em Cataguases, uma das modificações, será a transformação do CAPS I (Centro de atenção psicossocial), para CAPS II, que possui maior capacidade para atendimento e uma equipe maior. Também, o CAPS-AD (Alcool e Drogas) passará atender 24 horas e além disso, já existem quatro leitos credenciados no Hospital de Cataguases para atendimento de pacientes em surto. Nesse caso, qualquer médico, inclusive das unidades básicas e do Pronto Socorro, podem solicitar a internação. Outra novidade, para 2016, será a implantação de uma Unidade de Atendimento Infantil, para atender crianças com problemas psicológicos e outra clínica para tratamento de adultos que já está homologada pela Regional de Leopoldina, faltando passar pelo Ministério da Saúde.
Saiba mais:Familiares e voluntários do CAPS reúnem-se com o prefeito Cesinha para pedir solução para a falta de médico, medicamentos e funcionários
Hoje, em caso de surto psicótico, o secretário disse que a policia ou o SAMU podem ser acionados para conter essa pessoa que poderá ser levada para o Hospital de Cataguases ou outro Hospital de referência, onde permanecerá tomando medicação por 4 a 5 dias até poder voltar ao convívio. Além disso, a família deverá solicitar o tratamento no CAPS em caso de Saúde mental e no CAPS-AD se for problema de álcool e drogas. "O tratamento vai ser feito dentro do CAPS, com a família, que também será preparada para isso, para ensiná-los como trata esse pessoal. [...] A nossa sociedade, tem de estar preparada para isso, por isso que a gente tem de começar a falar [...] eu disse até julho, é até julho, mas eu já tenho que começar e já estamos começando a tratar de uma forma diferente esse paciente, porque nós não temos mais clínicas, então, isso é já." contou e revelou que na próxima quarta-feira (11), haverá reunião com o grupo de trabalho para começar a implantar esse novo processo.

Psiquiatras

Outro problema enfrentado, é a falta de psiquiatra para atender ao CAPS, pois os três médicos existentes, pediram demissão, devido as exigências do Ministério Público, mas conforme contou, já houve uma reunião no gabinete do perfeito Cesinha Samor, onde esteve presente o Dr. Atilio Jose Montanari, que já estaria voltando a atender no CAPS de imediato, até que seja regulamentada uma empresa com os 3 profissionais, para possivelmente, terceirizar esse atendimento após análise da documentação. "Nesse primeiro momento, vai nos mostrar documentos da empresa que eles montaram pra gente estudar a possibilidade com nosso advogado para que a gente possa ou não de imediato contratar essa empresa para que a gente fique a vontade e o povo fique assistido quanto a psiquiatria no CAPS" completou.

Médicos nos PSFs

Semelhante ao problema com os médicos psiquiatras, também os médicos nas Unidades Básicas de Saúde, tem pedido demissão, devido a exigências da promotoria do Ministério Público quanto ao cumprimento da carga horária de 8 horas, conforme contrato assinado. Sobre esse assunto, Antonucci disse que a intenção será igualar o salário dos 3 níveis de profissionais que atuam nas Unidades Básicas, o PROVAB (Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica) e o Programa mais médicos, que recebem em torno de R$ 10 mil, com os contratados que hoje recebem cerca de R$ 7,2 mil bruto, passando todos para R$ 10 mil. Outra medida, que já está em fase de licitação, será a implantação de ponto biométrico nas UBS para controle do horário de todos os profissionais, médicos, enfermeiros e demais servidores. O problema, é que mesmo assim, alguns médicos não deverão retornar, o secretário revelou que esta semana, mais quatro médicos que atendiam aos PSFs, pediram demissão: Dr. Dr. Lincoln Ferreira que atendia no bairro Beira Rio, Dr. Marcelo que atendia no Tomé, Dr. Pedro Comello do Bandeirantes e Dra Clarisse do Paraíso. Além desses, já estavam sem médicos, o bairro Justino e o distrito de Sereno. Estes postos, devem ser obrigatoriamente supridos, em no máximo 3 meses, para não perder a verba que vem para esse fim e caso não ache médico que aceite, a vaga poderá ser preenchida através do sistema Mais Médicos.

Para os PSFs que estão sem médicos, o enfermeiro responsável, deverá trazer as receitas até a Secretaria de Saúde, para que um médico possa avia-las em caso de consulta, o paciente poderá ser consultado na Secretaria de Saúde ou em outra unidade mais próxima, mas o pedido deverá ser realizado junto ao enfermeiro responsável pela unidade do bairro.

Em relação a possibilidade da contratação de médicos em atendam em regime de 4 horas, ficando 2 em cada UBS, Antonucci informou que o valor do PAB (Piso da Atenção Básica) cai em torno de 40% o que não é viável para a Secretaria de Saúde.

A implantação do ponto biométrico deverá acontecer até o mês que vem.

UPA

Segundo o Secretário, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento), já está cadastrada, aguardando apenas a liberação da verba do Ministério da Saúde para conclusão da obra.

Um dos motivos para a construção da UPA, segundo o secretário, é implanta-la não apenas para atender a população de Cataguases, mas fomentar esse tipo de turismo em Cataguases, não apenas com a UPA mas com o tratamento de radio terapia e o instituto oncológico, que além de trazer comodidade para os moradores do município, também trará pessoas que hoje vão para Muriaé e poderão vir para Cataguases.

Em relação a questão da manutenção da UPA, Antonucci acredita que poderá contar com a ajuda dos municípios vizinhos que também enfrentam problemas e necessitam de atendimento. "Os pequenos estão fechando, por falta de controle, de administração e por falta de verba, então se a gente conseguir o oncológico, quanto de gente vai deixar de ir para Juiz de Fora e Muriaé e vir para Cataguases?".

A implantação da radioterapia em Cataguases, está dependendo da efetivação da troca com o Governo do Estado, do prédio onde funcionava o antigo Pronto Socorro que pertence ao estado com o do IPSENG que pertence ao município.

Medicamentos e Farmácia do SUS

Sobre as reclamações de que não existem medicamentos na farmácia do SUS, o secretário voltou a afirmar que os medicamentos mais procurados, são o Omeprazol e Rivotril (Clonazepam) e que em relação ao Rivotril, chegaram em 14 de janeiro deste ano, 89 mil comprimidos, mas que no dia 11 de fevereiro já não existia mais nenhum. Ele também informou que comprou 100 mil comprimidos de Omeprazol e que na segunda feira, deverá chegar mais Rivotril e outros necessários.

Segundo Antonucci, o Governo Federal manda dinheiro específico para compra de medicamentos, o governo do Estado manda quatro remessas mensais de medicamentos e a Secretaria Municipal de Saúde ainda complementa com verba própria a compra de outros medicamentos necessários. "Nós estamos fazendo o pedido e estamos aguardando já a primeira remessa do Estado, só que nesse meio ai, às vezes fica um remédio ou outro que falta mas lá na farmacinha tem medicamento e é fornecido".

O aumento no consumo desses medicamentos, se deve a um melhor acompanhamento na atenção básica e segundo o secretário, já está sendo trabalhada essa questão.

PMAQ

Para concluir, o secretário ainda falou sobre o PMAQ (Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade), que disponibiliza recursos para serem utilizados na manutenção dos postos de saúde e também na melhoria do atendimento e cumprimento das metas exigidas através de avaliações do postos e compensação financeira dos servidores onde esses requisitos são cumpridos satisfatoriamente. 
Saiba mais:Cataguases: Vereadores aprovam incentivo as Equipes de estratégias de Saúde da Família e Saúde Bucal
No final do ano passado, a Câmara Municipal de Cataguases, aprovou o projeto do vereador Michelângelo de Melo Correa, para regulamentar o programa, porém, a prefeitura enviou um substitutivo que não foi aceito pelos servidores e os vereadores acharam por bem aprovar o projeto original. O problema é que após a aprovação, o prefeito não sancionou a Lei que teve de ser promulgada pelo presidente da Câmara. Por fim, o secretário informou na entrevista que foi dado entrada em um pedido de inconstitucionalidade e que está aguardando a decisão da justiça para começar a pagar.

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