quinta-feira, 28 de abril de 2016

Justiça deverá liberar todo recurso destinado para PF no ano para evitar interferências do governo Temer

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
O ministério da Justiça decidiu liberar, nesta terça-feira, todo o recurso que estava previsto para a Polícia Federal no ano. A medida foi tomada pelo ministro Eugênio Aragão para evitar que o possível novo governo de Michel Temer atrapalhe as operações da polícia, como a Lava Jato, por exemplo. Ao todo, o governo deve liberar cerca de 160 milhões de reais aos cofres da PF. O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Carlos Eduardo Sobral, conta que o dinheiro destinado para a PF é liberado aos poucos, de acordo com a vontade do governo. Ele lembra que uma forma de atrapalhar as ações da Polícia Federal é justamente o governo segurar o repasse de recursos para a corporação.

“A entrega do recurso, a entrega do dinheiro para a Polícia Federal, ela acontece mês a mês. E, é comum o governo Federal congelar o repasse. Sem dinheiro, ela não pode pagar a movimentação dos policiais que vão trabalhar nas operações e o governo, o ministério da Justiça vão repassar de imediato, nos próximos dias, todo o recurso, todo o dinheiro que a Polícia Federal poderia receber até o final do ano”. disse o presidente da ADPF, Carlos Eduardo Sobral.

Durante esta semana, em meio às negociações de Temer com partidos para a composição de um novo governo, o nome do advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira foi citado para assumir o ministério da Justiça. A possibilidade de Mariz assumir a pasta causou críticas, porque o advogado assinou, no começo deste ano, um manifesto contra a operação Lava Jato da Polícia Federal. O presidente da ADPF, Carlos Eduardo Sobral, explica que o nome de Mariz também gerou desconfianças entre os delegados da PF.  “Ele teria dado uma entrevista falando que a polícia não pode ter como prioridade o combate à corrupção e todos nós sabemos que a prioridade número um da Polícia Federal é o combate à corrupção. Então, ele começou muito mal. E também teria criticado um instrumento de investigação que é utilizado em todo mundo desenvolvido que é a delação premiada. Tanto a Lava Jato, ela é imprescindível para o país, como o instrumento da delação premiada é imprescindível para o país. E, as suas manifestações não foram bem recebidas”. argumentou Sobral.

Os delegados de Polícia Federal estão em campanha para que a autonomia administrativa e financeira da instituição seja aprovada no Congresso Nacional. O objetivo dos delegados é garantir que a polícia fique livre de interferências políticas com a desvinculação da corporação do ministério da Justiça.

Saiba mais na internet, no endereço pecdapf.adpf.org.br.

Reportagem, Cristiano Carlos

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