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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Provedor do Hospital de Cataguases diz que Pronto Socorro Municipal dá prejuízo de R$ 100 mil por mês e quer correção do contrato com a prefeitura

Representantes do Hospital de Cataguases compareceram na sessão ordinária da Câmara Municipal na noite desta terça-feira (20), para expor aos vereadores a situação daquela Santa Casa.

O provedor Wilson Crepaldi Júnior (Bill Crepaldi) iniciou mostrando que outras Santas Casas estão fechando suas portas ou reduzindo os leitos do SUS, por problemas financeiros, caso de Caratinga e Diamantina que fecharam as portas e da Maternidade Terezinha de Jesus em Juiz de Fora que precisou diminuir o atendimento ao SUS, explicou o provedor. 

Segundo Bill, um dos problemas que o Hospital de Cataguases tem enfrentado refere-se ao Pronto Socorro Municipal que desde sua implantação em 2014, tem dado prejuízo aquele nosocômio. "Toda vez que o Bill fala tem de falar desse negócio que aconteceu a não sei quantos anos atrás, mas não tem outra forma, em fevereiro de 2014 é de conhecimento da maioria a transferência do Pronto Socorro Municipal para as dependências da Santa Casa. Naquela época foi apresentado um custo pelo então secretário municipal de Saúde, Dr. Alexandre, de que em 2014, já custava para o Município R$ 650 mil aquele Pronto Socorro que era mantido em frente ao nosso Hospital de Cataguases", explicou o provedor.

O motivo para o pronunciamento do provedor foi um impasse entre o Hospital de Cataguases e o Município para correção do contrato que já está vencido e vem sendo prorrogado através de aditivos. Em 2014, o então prefeito, Cesinha Samor, assinou um contrato com o Hospital de Cataguases, na presença do Ministério Público, para transferência do Pronto Socorro onde o Município se comprometeria a repassar R$ 450 mil. Após a transferência, Cesinha voltou atrás (dois dias antes de pagar a primeira parcela) e modificou o contrato para R$ 250 mil. No final de 2016 o contrato foi corrigido para R$ 300 mil e agora o Hospital pleiteia mais R$ 100 mil que é o prejuízo mensal com o Pronto Socorro levantado pelo financeiro daquela entidade passando o repasse da prefeitura para R$ 400 mil por mês. O Município, no entanto ofereceu apenas mais R$ 20 mil o que não agradou a Mesa Diretora. "Nós estamos cansados de apresentar uma planilha de custo da nossa Santa Casa, do nosso Pronto Socorro e ela ser contestada verbalmente sem ter o mínimo de preocupação de aparecer alguém pra ir lá ao local saber o que está acontecendo, o que gasta no Pronto Socorro. Acha que é só abrir e colocar o médico lá? Não, nós temos remédios, aparelhos e outras coisas", argumentou Bill.

Durante seu pronunciamento, Bill não descartou a possibilidade de o Hospital devolver o Pronto Socorro para o Município, mas deixou claro que essa não é a vontade da Mesa. "Eu quero que vocês tomem conhecimento porque se amanhã ou depois, a Santa Casa, a Mesa Administrativa da Santa Casa, com seu Conselho, com os membros da sua irmandade, resolverem não mais tocar o Pronto Socorro Municipal, devolver para o Município, que o município arque com as despesas que hoje pra ele está custando R$ 300 mil por mês", disse.

A gerente administrativa do Hospital, Maria Inês de Oliveira Dal Bianco, ressaltou a importância de preservar o Hospital para bem da população, convocando a todos para lutar em prol da entidade. "Nós não podemos parar e ficar de braços cruzados porque no Brasil todos os hospitais estão quebrados, porque em Minas Gerais o governo prometeu e não cumpriu muita coisa. Nós não podemos cruzar os braços e é isso mesmo porque a gente quer chamar a todos para salvar o nosso Hospital de Cataguases". Segundo Maria Inês, quando o Conselho Municipal de Saúde não aprovou o contrato para cuidar do Pronto Socorro no valor de R$ 450 mil, em 2014, decretou a falência do Hospital. Ela ressaltou que R$ 200 mil que a Santa Casa deixou de ganhar durante 50 meses é exatamente o valor do endividamento bancário da entidade, estimado em R$ 10 milhões.

Alguns vereadores (contrários a atual gestão), aproveitaram a fala do provedor e da supervisora do Hospital para colocar a culpa no prefeito atual, caso do vereador Ricardo Dias. Segundo ele, seria fácil a prefeitura aumentar o valor do repasse de R$ 300 mil para R$ 400 mil. A maioria dos vereadores no entanto, sugeriram a convocação de uma reunião extraordinária com a presença do prefeito, secretário municipal de saúde, Ministério Público e prefeitos e secretários das cidades atendidas pela Santa Casa de Cataguases, como Santana de Cataguases, Astolfo Dutra, Dona Eusébia e Itamarati de Minas para estudar a possibilidade de esse aumento ser rateado entre as prefeituras. O presidente acatou a ideia e ficou de marcar a reunião ressaltando que pedirá ao promotor de justiça para que faça as convocações.

O provedor lembrou que precisa passar uma decisão para o Ministério Público até o dia 28 deste mês.

Outros problemas como a redução do repasse do Governo Estadual que no início era de R$ 200 mil e após a troca de governador passou para R$ 100 mil, também foram levantados pelo presidente da Câmara Michelangelo Correa. O presidente também lembrou que o atual prefeito, Willian Lobo, foi o único que pagou o Hospital em dia na sua primeira gestão e que certamente concordará em dialogar com a entidade juntamente com os vereadores.








Nível II

A metodologia da Acreditação tem como objetivo promover a implantação de um processo permanente de avaliação e de certificação da qualidade dos serviços de saúde, permitindo o aprimoramento contínuo da atenção, de forma a melhorar a qualidade da assistência. Para alcançar o Nível 2, o Hospital precisa alinhar todos os processos assistenciais e administrativos. Uma das condições para que o Hospital de Cataguases alcançasse o Nível 2, foi combinado que o mesmo assumiria o Pronto Socorro, porém só após a construção das instalações, o que não aconteceu.


O Hospital de Cataguases atende por mês cerca de 120 mil pessoas no geral, sendo 91% pacientes do SUS segundo o provedor.


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