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sexta-feira, 30 de março de 2018

"Arigó" é a maior produção filmada em Cataguases diz produtores em entrevista coletiva

O filme sobre a vida do médium brasileiro, José Pedro de Freitas, o "Zé Arigó", está sendo filmado em Cataguases desde a última terça-feira, 27 de março. Em meio a agitação da gravação, os produtores do longa falaram a imprensa no final da tarde, desta quinta-feira (29), sobre a maior produção cinematográfica já realizada na cidade até o momento. 

Estiveram presentes: Roberto d’Avila (diretor e produtor da Moonshot Pictures), Julia Nogueira (produtora e jornalista da Camisa Listrada), Fabio Golombek (CEO da FJ Productions), Mônica Perez Botelho (presidente do Polo Audiovisual e presidente da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho) César Piva (Gestor da Fábrica do Futuro e Diretor Executivo da Agência do Polo Audiovisual da Zona da Mata), além do secretário municipal de Cultura e Turismo, Fausto Menta.

O filme é uma produção da Moonshot Pictures (SP), associada a FJ Productions (SP) e Camisa Listrada (BH/MG), com direção de Gustavo Fernández, reconhecido por suas realizações na TV como a novela “Avenida Brasil”, “Além do Horizonte” e a recente minissérie “Os dias eram assim”. No elenco, grandes estrelas: Danton Melo e Juliana Paes, no papel de Arigó e sua esposa, e ainda Alexandre Borges, Marcos Caruso, Marco Ricca e Carlos Meceni. Quem assina o roteiro é Jaqueline Vargas.  

Mônica Botelho iniciou dizendo que o Polo Audiovisual é um projeto de desenvolvimento local, ancorado na indústria cinematográfica brasileira que vem crescendo de maneira exponencial e que com o compromisso de apoio da Energisa de longo prazo tem feito este projeto acontecer. Ela se mostrou muito contente em iniciar o ano com esta produção que inicialmente seria todo limitado a região de Congonhas mas que com a ação do Polo foi possível trazer para Cataguases. "O Roberto tem uma produtora muito conceituada e estruturada e a gente atrair parceiros desse naipe é muito importante pra gente e o trabalho com cinema exige essa relação de confiança, a pessoa se instala na cidade, a gente ajuda a abrir as portas mas tem de ser produtor sério que a gente sabe que vai cumprir e honrar com os compromissos na cidade, que não vai deixar ninguém na mão, então, é muito importante também a gente ter esse filtro e a gente faz esse processo todo de entendimento e é um prazer poder contar com essa produção aqui em Cataguases", ressaltou Mônica.

Roberto d’Avila disse que o motivo principal das filmagens ter vindo para Cataguases e região, foi devido o filme se passar entre as décadas de 50 a 70 e pela necessidade de recriar uma época com total verossimilhança. Conforme explicou, Congonhas tem poucas locações que não estão descaracterizadas da época e existiam duas opções, que seria fazer tudo em estúdio reconstruindo o cenário da época ou encontrar um local já com essa vivência. Com o apoio do Polo Audiovisual, o produtor rodou cerca de 2 mil quilômetros visitando possíveis locações até conseguir concentrar a produção em dois lugares: Cataguases que pela característica modernista irá emprestar a imagem de Belo Horizonte dos anos 50 e Rio Novo que será Congonhas dos anos 50 e 60, contou. Ele ressaltou que o apoio do Polo Audiovisual, da Prefeitura de Cataguases e da população de Cataguases e Rio Novo também foram fundamentais.

O produtor evitou falar sobre o orçamento do filme, mas disse que ficará acima de R$ 8 milhões. Segundo ele, já existe uma estimativa de que será gasto na cidade cerca de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões. Conforme César Piva o impacto indireto na economia da cidade pode ultrapassar a casa dos R$ 6 milhões.

O secretário de Cultura e Turismo, Fausto Menta, disse que o papel da prefeitura é de apoiar e simplificar o relacionamento das produtoras com a cidade, facilitando o acesso e a logística. "A prefeitura reconhece o Polo como um grande facilitador para o desenvolvimento econômico da cidade e com isso agrega uma série de outras questões que é colocar na cabeça da população a ideia de preservar o patrimônio que é um grande desafio que estamos enfrentando hoje, principalmente com o comércio que não entende isso como retorno", explicou.

Sobre o Polo, Fausto Menta disse que tem ajudado ao Município a realizar as políticas para incentivar o turismo. "Hoje, como eu estive dos dois lados, eu posso dizer que nós nunca estivemos tão próximo do Governo Federal, do Governo Estadual e da iniciativa privada em torno de um bem comum que é alavancar o Polo, promover o turismo, democratizar o acesso e preservar o patrimônio", disse.

Escolha do protagonista

Sobre a escolha do ator Danton Melo para protagonizar Arigó, Roberto d’Avila disse que foi um longo processo e que sempre é muito difícil encontrar uma pessoa que encaixe no personagem, com as características, biotipo, etc.

"O Danton foi se encaixando na nossa cabeça por tudo isso e em certo momento a gente vislumbrou a possibilidade de ser o Danton. Mas você tem o outro lado da história que é mais do que você fazer uma oferta comercial e você pagar um dinheiro que seja suficiente pra pessoa aceitar e que ser profissional, eu acho que uma obra artística desse peso, você tem que precisar da pessoa tanto quanto a pessoa precisa dessa obra artística também, portanto ela vai se dedicar e submergir naquele texto e de fato traga uma coisa muito mais além do que seria esperado". O produtor também contou que o ator se emocionou muito com o roteiro e casou bem com a história. "Ele não falou que queria fazer mas que precisa fazer esse personagem", disse.

As filmagens acontecem em vários pontos de Cataguases até o dia 06 de abril.  Numa segunda etapa, a produção prossegue com locações em Rio Novo, também na Zona da Mata, e em Congonhas, envolvendo cerca de 300 pessoas na produção, dentre artistas, produtores, técnicos, figurantes, prestadores de serviços e fornecedores locais.

Além do Polo Audiovisual da Zona da Mata de Minas Gerais, a produção conta também com a parceria da Fundação Cultural Ormeu Junqueira Botelho, Fábrica do Futuro e apoio da Prefeitura Municipal de Cataguases, além do patrocínio da Energisa, por meio da Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

Em 2018 a expectativa é que além de "Arigó", outros 6 filmes sejam filmados em Cataguases.


Sinopse

Amado, incompreendido e odiado. Esta é a fascinante história real de um homem simples que realizou cirurgias e curas espirituais extraordinárias em Congonhas, MG. José Pedro de Freitas, o Zé Arigó, se tornou a esperança de cura para milhões de pessoas.  Abençoado ou amaldiçoado, Arigó viveu em uma época em que o espiritismo não era uma religião difundida no Brasil, sofrendo preconceitos da sociedade, da comunidade médica e da justiça, levando-o a prisão. Ele morreu em 1971, aos 51 anos de idade, em um acidente automobilístico.

Preservação do Patrimônio Histórico/Arquitetônico de Cataguases

A Filmagem de filmes como "Arigó", indica que um dos caminhos para o desenvolvimento da cidade passa pela preservação de seu patrimônio histórico, cultural e arquitetônico, evitando descaracterizações, o que poderá no futuro atrair mais filmes e turistas para Cataguases.

Crescimento do Polo Audiovisual

Monica Botelho destacou que com a quantidade de produções que estão para acontecer, o Polo já pensa em construir dois estúdios no futuro para proporcionar aos produtores maior estrutura. Outro objetivo do Polo Audiovisual será a formação de mão de obra qualificada na cidade, trazendo cursos técnicos e de graduação na área. Para isso será muito importante a parceria com faculdades como o Instituto Federal Sudeste que já se encontra instalado no município.

"A gente se apresentar e rápido com um local onde já existe uma boa infraestrutura pra filmar, onde já existe uma entidade que articula os diversos setores da cidade já sai na frente. Talvez hoje no Brasil nós já representamos um dos melhores casos já bem encaminhados de um arranjo produtivo local ligado a área do cinema", disse Mônica Botelho.

Um comentário :

  1. Cataguases era para ser muito mais conhecida nacionalmente do que realmente é. Falta de incentivos públicos que não vendem nosso peixe como deveriam. É uma vergonha esta cidade ser o berço do cinema nacional e pouca gente no país saber disto!

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