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domingo, 22 de abril de 2018

Pimentel defende Lula na cerimônia de entrega da Medalha da Inconfidência em Ouro Preto que foi marcada por ostensivo aparato policial e baixa participação popular

Pela primeira vez a Medalha da Inconfidência, a maior honraria concedida pelo Estado de Minas Gerais, foi entregue em um lugar fechado, no Centro de Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). A cerimônia aconteceu neste sábado (21). Ao todo, 170 personalidades e instituições foram homenageadas. O governo alegou que a cerimônia em local fechado foi um pedido da população mas nos bastidores o comentário era de que na realidade Pimentel quis evitar críticas e manifestações de categorias, como a dos professores.

Outra novidade deste ano, foi o forte aparato policial que contou até com o Exército. Conforme moradores, a sensação era de que havia mais policiais na cidade que população. A proibição de acesso a solenidade na Praça Tiradentes aos repórteres de veículos de imprensa também não "pegou bem". Apenas fotógrafos e cinegrafistas foram autorizados. 

A baixa participação popular também marcou a cerimônia deste ano.

Homenageados

Entre os homenageados, destaque para a vereadora do Rio de Janeiro e ativista dos direitos humanos Marielle Franco, que recebeu a comenda in-memoriam. A entrega da honraria foi feita à sua companheira Mônica Tereza Benício, que destacou a presença das causas sociais levantadas diariamente pela vereadora, assassinada a tiros no mês de março na capital fluminense.

O Prêmio Nobel da Paz de 1980 e também ativista dos direitos humanos, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, que defendeu o Nebel da Paz para Lula também foi homenageado mas não compareceu. 

O ex-ministro Renato Janine Ribeiro, destacou a importância de se construir legados para evolução do mundo. Ele  foi agraciado com a Grande Medalha. 

A pequena Esthéfany Rodrigues Ribeiro (10 anos) entendeu a importância de receber a honraria. Em fevereiro, ela sofreu um acidente com um grupo de alunos a caminho da escola em São João Batista do Glória, Território Sul, quanto a Kombi que transportava os estudantes caiu em um barranco. Todas as vítimas foram resgatadas graças ao ato heroico dela e de sua colega Ana Clara Garcia de Oliveira, de 15 anos, também homenageada. “Foi um dia muito triste, mas hoje eu estou feliz por ser lembrada e ganhar até uma medalha”, disse, emocionada.

Quem também acredita que o trabalho em prol do ser humano pode melhorar Minas Gerais é o representante do Cárita Brasileiro, Regional Minas Gerais, Rodrigo Pires Vieira. A instituição internacional, ligada às dioceses da Igreja Católica, tem como propósito ajudar as pessoas mais pobres, dando a elas dignidade. “Nós temos vários projetos na área alimentar, da promoção de hortas comunitárias, de lavouras comunitárias, associações e cooperativas. Essa medalha nos mostra que estamos no caminho certo. Queremos cada vez mais trabalhar e divulgar nossas ações em todo mundo. Hoje estamos em mais de 200 países e nosso propósito é fazer o bem”, afirmou.

Com 67 anos de estudos somente na área eleitoral, Eleonora Fernandes Rennó, conta que está aposentada do Tribunal Regional Eleitoral, mas que a cada ano sente o peso e a importância da democracia para Minas Gerais e para o país.  “Já recebi outras medalhas, mas me sinto feliz por ser lembrada ainda hoje pelo meu trabalho em prol da democracia. O direito eleitoral é o mais democrático de todos, tem muito valor diante da lei, porque cada um é um voto. E é esse o apelo que eu faço, da consciência nesse voto, pois é uma coisa muito importante que nos foi confiada e que pode mudar a vida não só dos mineiros, mas também de todo país”, disse.

Artesã há mais de 70 anos, Dona Cecília Matias do Carmo Ferreira, natural de Ouro Preto, se emocionou ao receber a medalha. “Com essas mãos eu trabalho há muitos desses meus 80 anos. Crochê, eu comecei com 8 anos de idade. Passei meu ofício para varias gerações.Estou e fiquei muito emocionada pelo reconhecimento de Minas Gerais pelo meu trabalho. Apesar de já estar com 80 anos, eu espero ganhar outros prêmios como esse”, afirmou.

O cantor Mauricio Tizumba disse se sentir honrado com a homenagem. “Para mim, essa medalha é um ato de alegria, de reconhecimento do meu trabalho em prol da cultura afro, e por isso eu me sinto super honrado, alegre e feliz, mas certo de que há muito o que mudar em favor do povo mineiro e dos brasileiros. Hoje estamos aqui por conta de Tiradentes, um grande herói”, reforçou.

Ofélia de Lourdes de Hilário, conselheira da Associação Afro Cultural de Betim CorBrasil, fez da homenagem a continuidade da sua luta diária contra o preconceito e divulgação da cultura afro. “Eu sou militante, desde a adolescência, de movimentos negros e contra todas as formas de discriminação, junto às comunidades mais carentes, nas vilas, nas favelas, em associações de bairro, lutando para a dignidade do nosso povo, para que as pessoas tenham igualdade de oportunidade. Por isso essa medalha me mostra que eu estou no caminho certo”, frisou.

Para Túlio Madureira da Silva, produtor de queijo artesanal do Serro, o agraciamento com a Medalha Grau Inconfidência é o reconhecimento do seu trabalho e do setor. “Para mim, é uma honra receber essa medalha e me tornar realmente um inconfidente nessa luta, principalmente pela nossa causa. Porque o queijo faz parte da história e da economia de Minas Gerais, e a gente tem lutado para a valorização e legalização do queijo artesanal”, complementou. 


Pimentel

Orador da Medalha da Inconfidência, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel fez um paralelo entre o momento político atual do Brasil e a história de líderes que, no passado, tornaram-se símbolos da luta pela democracia e que garantiram conquistas históricas para os brasileiros. 

O governador criticou a administração tucana dizendo que o governo anterior havia promovido obras faraônicas e superfaturadas.

Pimentel também exaltou Lula e criticou a prisão do ex-presidente preso por corrupção e lavagem de dinheiro no dia 7 de abril. Ele comparou o lider petista a Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. "Assim como fez JK com seu arrojado projeto de desenvolvimento, assim como fez Getúlio Vargas na formatação das leis trabalhistas e da Previdência, assim como fez o presidente Lula com seus bem sucedidos programas de inclusão social. Esses três líderes que mencionei viveram, não por coincidência, a dor da perseguição e da ofensa. Foram vilipendiados, caluniados, injustiçados, e, até porque não dizer, martirizados. Mas são vitoriosos, ao final", disse.


Cerimônia

Criada em 1952 pelo governador Juscelino Kubitscheck, a Medalha da Inconfidência possui quatro designações: Grande Colar, Grande Medalha, Medalha de Honra e Medalha da Inconfidência.  Foram 40 agraciados com a Grande Medalha, 58 com a Medalha de Honra e 72 com a Medalha da Inconfidência. De acordo com a Constituição do Estado, o governador Fernando Pimentel baixou decreto transferindo simbolicamente a capital de Minas Gerais para Ouro Preto. A cidade foi a capital mineira de 1823 até 1897.



Na Praça Tiradentes, o governador  foi recebido com honras militares. Em seguida, colocou flores no monumento a Tiradentes e recebeu o fogo simbólico, fazendo o acendimento da Pira da Liberdade. Houve também salva de 21 tiros. O hino nacional do Brasil foi executado pela Banda de Música da Polícia Militar de Minas Gerais. Na sequência, Fernando Pimentel seguiu para o Centro de Artes e Convenções da UFOP, acompanhado por crianças das escolas municipais de Ouro Preto e Rio Doce, onde entregou a Medalha da Inconfidência.



O prefeito de Ouro Preto, Julio Pimenta, relembrou a importância histórica e democrática da cidade, destacada na data de hoje. “Ouro Preto se orgulha por ser o berço, o palco das celebrações do dia 21 de abril. Todo pais reflete sobre a Inconfidência Mineira, momento de obstinação do nosso povo, que se expressou de forma veemente, contribuindo para os alicerces da independência da nação”, afirmou.





Com informações da Agência Minas
Fotos: Manoel Marques / Imprensa MG

Um comentário :

  1. Minas Gerais tem governador? Esse sujeito ai já deveria ter sido cassado e preso.

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