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sábado, 7 de julho de 2018

"Hoje é um dia histórico” disse secretário de Estado de Cultura na reunião que anunciou oficialmente a compra do Cine Edgard

Prédio histórico foi comprado por R$ 4,8 milhões com entrada de R$ 400 mil em setembro de 2018 e parcelas de R$ 40 mil por mês durante 10 anos sem correção monetária.

A cultura cataguasense ganhou um importante presente na manhã desta sexta-feira (6). Criticado desde o final de sua primeira gestão por não ter conseguido chegar a um acordo para compra do Edgard Cineteatro, o prefeito Willian Lobo anunciou hoje oficialmente a compra do imóvel que passará a funcionar como importante centro cultural para mostra de filmes e peças teatrais, além de abrigar permanentemente um museu do modernismo no andar superior.



A cerimônia de anuncio oficial contou com a presença do secretário municipal de Cultura, Fausto Menta; do secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais, Ângelo Oswaldo; da presidente da Fundação Ormeo Junqueira Botelho, Mônica Botelho, representantes de diversas fundações culturais do município, cineastas, produtores, empresários e autoridades civis.

"A Prefeitura Municipal de Cataguases, na gestão do Prefeito Willian Lobo de Almeida, reconhece e valoriza o poder transformador da arte e da cultura. Esta nova aquisição, para nós, é equivalente às grandes conquistas que emocionam, inspiram, marcam e deixam como legado a sensação de que os sonhos são possíveis quando se trabalha com sentimento, com responsabilidade e com imenso amor às causas da coletividade. Parabéns Cataguases!", disse o secretário Fausto Menta em seu discurso de abertura.

Mônica Botelho destacou que o momento extremamente importante não apenas pelo simbolismo que o cinema representa para a cidade, mas também por tudo que tem sido realizado em relação à retomada da produção cinematográfica no município e anunciou a parceria da Fundação Ormeo Junqueira Botelho bem como da Energisa na restauração do prédio. "É um coroamento de todos estes esforços, era muito triste a gente chegar à cidade e ver o cinema fechado e acho que estamos vivendo um momento muito especial com essa retomada deste prédio com a possibilidade de ressignificar estes usos e ampliar o escopo das atividades aqui desenvolvidas. Não só a fundação Ormeo Junqueira Botelho como a Energisa de antemão somos parceiros obviamente para restauração deste prédio", afirmou.

O secretário de Estado de Cultura, Ângelo Oswaldo, destacou a importância da aquisição: "Hoje é um dia histórico. Não apenas para nossa querida cidade de Cataguases, mas para cultura de Minas Gerais e do Brasil. Eu considero este acontecimento um fato de repercussão internacional, já não tivéssemos em Cataguases sede do Cineport", disse. Ele destacou a vocação do município, berço do cinema nacional, para produções cinematográficas. "Isso consolida uma realidade que demandava a integração do Cine Edgard como um espaço, um locus indispensável", salientou. O secretário também ressaltou que se fosse uma fundação privada que tivesse comprado, haveria dificuldades enormes para alocação de recursos o que não ocorrerá com a prefeitura que poderá obter os recursos para reforma através de Leis de Incentivo à cultura e até mesmo do BNDES pelo fato de ser público. Ele também se colocou a disposição para ajudar neste sentido.


O secretário destacou também a importância da aquisição para o desenvolvimento da cidade, diante da nova realidade de geração de emprego e renda que traz o terceiro setor: “Neste momento de crise e dificuldades gerais dos municípios, dos estados e de nosso país, o Sr. tem essa decisão sábia, corajosa, afirmativa, nós não podemos ficar com a palavra ‘reclamação’ apenas, temos que cortar esta palavra no meio e ficar com a ‘ação’ e a ação é que o leva a integrar ao patrimônio público de Cataguases este espaço que será determinante para o desenvolvimento pleno de Cataguases pois não há desenvolvimento social e econômico sem a dimensão cultural. Nós temos trabalhado muito na questão cultural porque é através da cultura, nesta nova era pós industrial, nós estamos iniciando um novo ciclo econômico no mundo inteiro, aquelas grandes empresas de um mil, dois mil e três mil funcionários não existem mais, tudo vai sendo simplificado, a mão de obra vai sendo eliminada, a era tecnológica transformou completamente estas relações no mundo do trabalho e a dificuldade da criação de empregos e postos de trabalho é enorme mas no setor cultural, no setor de serviços, o setor da criação, o terceiro setor, a economia criativa nós vamos encontrar essa possibilidade tremenda”.

Ângelo Oswaldo também falou sobre a transferência da antiga delegacia para a Prefeitura de Cataguases, destacando que só foi possível devido um programa da secretaria de Cultura para obter prédios da secretaria de Segurança Pública de interesse cultural que estavam desativados e frisou que a transferência só poderia ser realizada para prefeituras com fins culturais e jamais para entidades privadas, como aconteceu também nos municípios de Prados e Passa Tempo. Ele também destacou a utilização do prédio como centro de referência literária e memorial da Revista Verde que projetou Cataguases para o mundo e falou de outra inclinação do município, a literatura, não apenas dos fundadores da Revista Verde como Ascânio Lopes e Rosário Fusco mas também da nova geração como Luiz Ruffato que também vem projetando o município.

O prefeito de Cataguases, Willian Lobo, disse que “apanhou” muito da oposição em seu primeiro mandato por não ter conseguido concretizar a compra na época pois a família proprietária do imóvel não havia aceitado a avaliação inicial que girava em torno de R$ 4,6 milhões. Ele lembrou também que na última administração, a Câmara chegou a devolver cerca de R$ 1 milhão para o Executivo com esta finalidade mas que o gestor da época usou em outra finalidade e que agora, ao anunciar a compra, tomou conhecimento de inverdades em redes sociais dizendo que a prefeitura pagaria R$ 6 milhões pelo prédio. Muito emocionado, ele lembrou da morte de um membro da família proprietária do prédio, sem que chegasse a um entendimento. “Foi um fato que eu jamais vou tirar da minha memória porque foi uma luta nossa naquele momento, porque eu estava defendendo o município com um valor, ele defendendo a família com outro valor e não conseguimos concretizar aquilo. E desde o início deste mandato eu vim trabalhando, calado, contando sempre com o Fausto e conseguimos chegar a um valor que a família aceitou que é um valor próximo a avaliação da época que o juiz determinou em 2015, que ficava em torno de R$ 4,68 milhões, mas esse valor eu não teria condições de cumprir e dialogando com a família, chegamos a um acordo de R$ 400 mil em setembro e uma prestação de R$ 40 mil”, disse. O prefeito explicou que se a prefeitura devolvesse o imóvel para os proprietários, teria que pagar entre multa e aluguéis atrasados, R$ 2,1 milhões sem ter a propriedade do imóvel.

O prefeito finalizou lembrando diversas realizações de seu primeiro mandato como Casa da Criança, Casa de Maria, Creche do Matadouro, 484 apartamentos no São Marcos, separação da água dos apartamentos dizendo que tudo foi importante mas que para ele, esta aquisição para Cataguases como berço do cinema foi essencial. "A cidade amanheceu e ao longo desta semana será divulgado que o cinema é nosso!", finalizou.

O produtor de cinema Breno Nogueira anunciou a filmagem de um filme e uma série na cidade.


A cineasta Elza Cataldo anunciou que filmará na cidade uma produção sobre Eva Nil.

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