sábado, 16 de novembro de 2019

Autonomia financeira e corporal é o que mais contribui para a autoestima das mulheres

Pesquisa revela que mulheres querem se sentir confortáveis com seus próprios corpos, sem padrão de beleza

Por Gabriela Hilário
Unhas bem feitas e maquiagem impecável, mesmo quando discreta. É assim que a empreendedora cataguasense Regilene Agostinho, 32 anos, sai para vender suas roupas infantis e produtos de maquiagem para pele negra. O dinheiro das vendas contribui para o orçamento doméstico e, claro, para investir em si mesma. A vendedora representa o percentual de mulheres que acreditam que a autonomia financeira e corporal são os aspectos mais importantes para a autoestima da mulher.

Uma pesquisa realizada pela kantar - empresa de dados, insights e consultoria -revelou que 24% das mulheres defendem que ter acesso ao seu próprio dinheiro e controlar como ele é gasto impacta diretamente na autoestima. Das entrevistadas, 23%  destacam que a autonomia sexual e corporal, que é a possibilidade de se sentirem confortáveis em seus próprios corpos e capazes de fazer escolhas para si mesmas sem vergonha ou julgamentos, é um ponto relevante para o crescimento do amor-próprio feminino.

A vendedora cataguasense, Apoliana Rosa, destaca que as roupas são uma forma de expressão da mulher e que , cada vez mais, elas querem usar peças que valorizem seu corpo do jeito que ele é: fora dos considerados “padrões de beleza”:

- Trabalho com venda de roupa íntima há muitos anos e percebi um crescimento da minha clientela plus size para peças mais sofisticadas e ousadas. As mulheres estão aceitando seus corpos, elas querem se sentir bem e lindas, independente do seu peso, altura ou de “imperfeições”. Somos mulheres reais, que trabalhamos, cuidamos da casa, dos filhos, estudamos – reforça a diretora da Bela Lingerie, que também não se enquadra no “padrão estético”, mas não perde a oportunidade de usar looks para “causar”.

Para a psicóloga, Flávia Lopes, a forma como nos vestimos também é uma maneira de nos expressarmos para o mundo:

- Essa questão de como a gente se veste, de sair desse padrão de beleza, tem a ver com a nossa autoimagem, que é a imagem que temos de nós mesmos. É a imagem de como a gente se imagina com nossas questões internas e de como a queremos expressar isso para o mundo. A maneira como você se veste nada mais é do que expressão de algo que está dentro de você. Cada pessoa tem um mudo interno rico e particular. E é essa expressão de como você se coloca no mundo, de como se fala, de como você se expressa de toda as formas e o vestuário é uma expressão disso também. Com certeza que influencia para a autoestima, pois você consegue se colocar o que vem de dentro de você e isso é muito importante – concluiu Flávia.

A empreendedora Regilene Agostinho confessa que nem sempre teve autoestima elevada, mas, quando decidiu mudar sua maneira de enxergar a si mesma, se sentiu fortalecida:

- Eu já tive preconceito com meu corpo. A sociedade fica o tempo todo cobrando que você tenha um corpo de determinado padrão estético. Eu sofri bastante com isso, mas quando me dei conta de que meu biotipo, a minha essência, não segue um padrão e que eu preciso me amar, as coisas mudaram. Sou mais feliz, mais segura comigo. Se não estou num dia bom, coloco uma maquiagem linda e saio “divando” – brinca Regilene.


A pesquisa O que as mulheres querem,  realizada pela Kantar, apontou que além da autonomia financeira e corporal, contribuem para a autoestima da mulher a liberdade de pensamento e expressão (22%), representatividade (16%) e conexões sociais (15%).

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