quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Peixe é usado como aliado no combate à dengue em Cataguases

Nos últimos seis meses, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio do Núcleo de Controle de Endemias, vem desenvolvendo uma metodologia inovadora para evitar o aumento da densidade populacional do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O chamando “Controle Biológico contra o Aedes” consiste no aproveitamento das espécies de peixes popularmente conhecidas como piaba e lambari, que são predadores naturais e se alimentam das larvas dos mosquitos que permanecem em depósitos de água. Atualmente, 43 depósitos, tais como bebedouros, piscinas e toneis, estão sendo periodicamente monitorados pelos agentes de endemias, situados também em locais estratégicos.

Conforme explica o educador em saúde, Élcio Amaral Ferreira, esse controle biológico reúne diversas vantagens. Uma delas é a substituição do uso dos larvicidas, que, além de poluírem o solo e a água, têm em seu uso prolongado o efeito insatisfatório de selecionar indivíduos ainda mais resistentes. “O combate químico é o caminho mais fácil, porém menos eficaz. O veneno é a pior das escolhas. Atuar na prevenção é mais barato e mais efetivo”, disse Élcio, que é o responsável pela elaboração desse projeto de controle biológico.

Outra inovação trazida a Cataguases pelo Núcleo de Controle de Endemias, ainda em 2018, foi a metodologia de monitoramento com o uso das ovitrampas. Parecidas com vasos de plantas e distribuídas por todas as regiões do município, em áreas residenciais e com apoio de moradores, elas funcionam para atrair fêmeas do mosquito. Nas ovitrampas elas depositam seus ovos, o que permite identificar o potencial de risco de dengue em cada região da cidade, antecipando o trabalho de intervenção. Além disso, as ovitrampas funcionam como armadilhas, acumulando e eliminando milhares de ovos do Aedes.

Para o educador em saúde, Élcio Ferreira, essas iniciativas vêm contribuindo para manter a dengue sob controle no município. Ele ainda lembra que, em agosto do ano passado, Minas Gerais já era o estado com o maior número de casos de dengue do país, com 471 mil registros prováveis, tendo surtos e epidemias acontecendo em vários municípios. Enquanto isso, em Cataguases a situação esteve bem controlada e sem registro de óbito. Para se ter uma ideia, nos meses de maior incidência, entre janeiro a março, foram 58 notificações isoladas, muito longe dos 2.258 registros de 2016, quando o município atingiu a marca histórica de casos da doença.


Ainda segundo Élcio, o objetivo é seguir substituindo, gradativamente, o controle químico pelo biológico, de tal forma que as equipes de saúde atuem não meramente no combate e eliminação de focos, mas na promoção da saúde e qualidade vida. “É sempre importante salientar que todos esses métodos não substituem a atuação da população. A dengue exige responsabilidade de todos nós. Por isso, reforçamos esse alerta para que as pessoas mantenham-se vigilantes, eliminando recipientes de água parada nos quintais de suas casas, limpando calhas e lajes, mantendo as caixas d’água cobertas e colaborando com a rotina de visitas dos agentes de saúde”, disse ele. Elcio reforça a importância dessas atitudes especialmente para estes dias chuvosos e de muito calor, clima propício para a eclosão de ovos e formação de larvas do Aedes.

Fonte: Prefeitura de Cataguases
Foto: Prefeitura de Alfenas

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